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Catequese sobre a Criação

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A catequese sobre a criação se reveste de uma importância capital. Ela diz respeito aos próprios fundamentos da vida humana e cristã, pois explicita a resposta da fé cristã à pergunta elementar feita pelos homens de todas as épocas: "De onde viemos?" "Para onde vamos?" "Qual é a nossa origem?" "Qual é o nosso fim?" "De onde vem e para onde vai tudo que existe?" As duas questões, a da origem e a o fim, são inseparáveis. São decisivas para o sentido e a orientação de nossa vida e de nosso agir.

A questão das origens do mundo e do homem é objeto de numerosas pesquisas científicas que enriqueceram magnificamente nossos conhecimentos sobre a idade e as dimensões do cosmo, o devir das formas vivas, o aparecimento do homem.
Essas descobertas nos convidam a admirar tanto mais a grandeza do Criador, a render-lhe graças por todas as suas obras, pela inteligência e pela sabedoria que dá aos estudiosos e aos pesquisadores.
Com Salomão, estes últimos podem dizer: "Ele me deu um conhecimento infalível dos seres para entender a estrutura do mundo, a atividade dos elementos... pois a Sabedoria, artífice do mundo, me ensinou" (Sb 7,17.22).
O grande interesse reservado a essas pesquisas é fortemente estimulado por uma questão de outra ordem e que ultrapassa o âmbito próprio das ciências naturais. Não se trata somente de saber quando e como surgiu materialmente o cosmo, nem quando o homem apareceu, mas, antes, de descobrir qual é o sentido de tal origem: se ela é governada pelo caso, um destino cego, uma necessidade anônima, por um Ser transcendente, inteligente e bom, chamado Deus.
E, se o mundo provém da sabedoria e da bondade de Deus, por que existe o mal? De onde vem? Quem é responsável por ele? Haverá como libertar-se dele? Desde os inícios, a fé cristã tem-se confrontado com respostas diferentes da sua no que diz respeito à questão das origens.
Assim, encontram-se nas religiões e nas culturas antigas numerosos mitos acerca das origens.
Certos filósofos afirmaram que tudo é Deus, que o mundo de Deus, ou que o devir do mundo é devir de Deus (panteísmo); outros afirmaram que o mundo é uma emanação necessária de Deus, emanação esta que deriva dessa fonte e volta a ela; outros ainda afirmaram a existência de dois princípios eternos, o Bem e o Mal, a Luz e as trevas em luta permanente entre si (dualismo, maniqueísmo); segundo algumas dessas concepções, o mundo (pelo menos o mundo material) seria mau, produto de uma queda, e portanto deve ser rejeitado ou superado (gnose); outros admitem que o mundo tenha sido feito por Deus, mas à maneira de um relojoeiro que, uma vez terminado o serviço, teria abandonado a si mesmo (deísmo); outros, finalmente, não aceitam nenhuma origem transcendente do mundo, vendo neste o mero jogo de uma matéria que teria existido sempre (materialismo). Todas essas tentativas dão prova da permanência e da universalidade da questão das origens. Esta busca é própria do homem.
Sem dúvida, a inteligência humana já pode encontrar uma resposta para a questão das origens. Com efeito, a existência de Deus Criador pode ser conhecida com certeza por meio de suas obras, graças à luz da razão humana , ainda que este conhecimento seja muitas vezes obscurecido e desfigurado pelo erro.
É por isso que a fé vem confirmar e iluminar a razão na compreensão correta desta verdade: "Foi pela fé que compreendemos que os mundos foram formados por uma palavra de Deus. Por isso é que o mundo visível não tem sua origem em coisas manifestas" (Hb 11,3). A verdade da criação é tão importante para toda a vida humana que Deus, em sua ternura, quis revelar a seu Povo tudo o que é útil conhecer a este respeito. Para além do conhecimento natural que todo homem pode ter do Criador , Deus revelou progressivamente a Israel o mistério da criação.
Ele, que escolheu os patriarcas, que fez Israel sair do Egito e que, ao escolher Israel, o criou e o formou , se revela como Aquele a quem pertencem todos os povos da terra, e a terra inteira, como único que "fez o céu e a terra" (Sl 115,15; 124,8; 134,3).
Assim, a revelação da criação é inseparável da revelação e da realização da Aliança de Deus, o Único, com seu povo.
A criação é revelada como sendo o primeiro passo rumo a esta Aliança, como o testemunho primeiro e universal do amor Todo-Poderoso de Deus.
Além disso, a verdade da criação se exprime com um vigor crescente na mensagem dos profetas , na oração dos salmos e da liturgia, na reflexão da sabedoria do Povo eleito.
Entre todas as palavras da Sagrada Escritura sobre a criação, os três primeiros capítulos do Gênesis ocupam um lugar único.
Do ponto de vista literário, esses textos podem Ter diversas fontes. Os autores inspirados puseram-nos no começo da Escritura, de sorte que eles exprimem, em sua linguagem solene, as verdades da criação, da origem e do fim desta em Deus, de sua ordem e de sua bondade, da vocação do homem e finalmente do drama do pecado e da esperança da salvação. Lidas à Luz de Cristo, na unidade da Sagrada Escritura e na Tradição viva da Igreja, essas palavras são a fonte principal para a catequese dos Mistérios do "princípio": criação, queda, promessa da salvação.
 (2)Cf. At 17,24-29; RM 1,19-20 (3)Cf. Is 43,1 (4)Cf. Gn 15,5; Jr 33,19-26 (5)Cf. Is 44,24 (6)Cf. Sl 104 (7)Cf. Pr 8,22-31

 

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